Chuvas deram R$ 88 milhões de prejuízo ao agronegócio do ES

Produtores de Iúna, Anchieta, Piúma, Vargem Alta, Muniz Freire e Iconha, foram os mais afetados pelas cheias dos rios e pelas enchentes

Armazém de grãos de café, em Iúna, foi inundado durante as chuvas que castigaram o ES (Foto: Fernando Madeira)

05/02/2020 (Publicada em 31/01/2020)

O agronegócio capixaba contabilizou, até o momento, um prejuízo de aproximadamente R$ 88,4 milhões devido às chuvas que atingiram o Espírito Santo nas últimas duas semanas. O valor pode ser ainda maior, já que algumas comunidades ainda estão isoladas devido ao estado das estradas e pontes. O cálculo foi feito pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), que informou que bovinocultura, fruticultura e horticultura foram os segmentos mais afetados no Estado.

Os produtores de Iúna, Anchieta, Piúma, Vargem Alta, Muniz Freire e Iconha, foram, respectivamente, os municípios mais afetados pelas cheias dos rios e pelas enchentes causadas pelas chuvas. Para realizar o levantamento, federações da agricultura, instituições públicas, cooperativas e agricultores forneceram os dados coletados, que foram reunidos pelo Incaper.

Até o momento, segundo o relatório, 27 cidades sofreram prejuízos no agronegócio. As 22 cidades que decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública somam perdas na ordem de R$ 64 milhões. Já as cinco sem decreto, aproximadamente, R$ 23,6 milhões.

Além dos impactos na produção, o Estado também sofreu com a perda de material genético e plantios experimentais. As fazendas experimentais do Incaper que ficam em Linhares, Cachoeiro e  Alfredo Chaves foram inundadas. Elas abrigam os bancos de espermatoplasma de banana e de pimenta-do-reino, segundo este segundo, os maiores da América Latina. Além disso, 17 bovinos que eram utilizados nas aulas de inseminação artificial em gado morreram ou estão desaparecidos.

De acordo com o diretor-presidente do Incaper, Antonio Carlos Machado, neste primeiro momento foi realizado o levantamento dos prejuízos para ajudar os produtores que precisarão contratar empréstimos ou renegociar suas dívidas nos bancos por conta dos prejuízos causados pelas chuvas. “Na próxima semana haverá uma grande reunião com as pastas do governo ligadas a agricultura, além das federações e bancos, para serem propostas formas de auxílios a esses agricultores e pecuaristas impactados”, conta.

Ainda segundo Machado, é muito importante chegar nas comunidades isoladas que foram atingidas pela chuva. Muitas dessas localidades tiveram todas as estradas e pontes destruídas pela ferocidade da água.

Agroindústrias do ES tiveram mais de R$ 1,6 milhão de prejuízo

De acordo com o levantamento do Incaper, as agroindústrias capixabas tiveram perdas que ultrapassam os R$ 1,6 milhão. Em Iúna, por exemplo, uma corretora que trabalha com a compra, armazenagem e venda de café seco registrou perda de 20% das sacas de café estocadas, devido à inundação do galpão onde os grãos ficam guardados.

“Tinha mais de 40 mil sacas de cafés armazenadas na sexta feira (17/01). A água chegou a 80 cm e atingiu as sacas que estavam em contato com o chão. Os grãos perderam qualidade porque foram umedecidos. Além disso, parte de uma parede estourou e ela quase que caiu por inteiro”, comentou Igor de Almeida Amorim, proprietário da Teba Corretora.

Para não jogar fora as sacas molhadas, elas estão sendo secas, porém não poderão ser consumidas. “Temos esse galpão há vinte anos e nunca tínhamos visto algo assim acontecer”, disse.

Fonte: Portal do Centro do Comércio do Café do Estado de Minas Gerais/Com informações Incaper e A Gazeta (ES)

 

 

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